quarta-feira, 20 de junho de 2012

MTA e Cimento Portland promovem biomineralização In Vivo


Dreger LAS, Felippe WT, Reyes-Carmona JF, Felippe GS, Bortoluzzi EA, Felippe MCS. Journal of Endodontics 201; 38 (3): 324-29



O agregado trióxido mineral (MTA) e o cimento Portland tem sido apresentados como materiais bioativos devido sua capacidade de produzir apatita carbonada. Esse estudo analisa a interação do MTA e do cimento Portland com a dentina in vivo. 

Materiais e Métodos: As coroas e o terço apical de 72 dentes humanos com uma única raiz foram removidos, para se obter "tubos" de dentina de 5 mm de espessura. Os tubos foram lavados com água destilada e autoclavados. Foram irrigados com 17% de EDTA seguido de hipoclorito a 1%, secados e divididos aleatoriamente em 4 diferentes grupos. As cavidades do tubos foram preenchidos com diferentes cimentos: MTA Branco (Angelus Soluções Odontológicas, Londrina, PR, Brasil), MTA Bio (Angelus), cimento Portland branco (Mar Paulista, São Paulo, SP, Brasil) + 20% de óxido de bismuto (Seelze, Hannover, Alemanha) (PC1), e PC1 + 10% de cloreto de cálcio (Labsynth, Diadema, SP, Brasil) (PC2). Após o preenchimentos dos tubos, estes foram implantados subcutaneamente em 4 locais da área dorsal de 18 ratos. Tubos de dentina vazios também foram implantados em ratos para serem usados como grupo controle. Depois de 30, 60 e 90 dias, os animais foram mortos, e os tubos foram removidos para análise em microscópio eletrônico. 

Resultados: No período de 30 e 60 dias, a deposição de mineral na camada interfacial e no interior dos túbulos dentinários foi detectada mais em tubos preenchidos com MTA Branco e MTA Bio do que em tubos preenchidos com PC1 e PC2. Após 90 dias, a mineralização na camada interfacial e nos túbulos dentinários foi detectada em todo os tubos, com exceção de um dos tubos preenchido com PC2.

Conclusão: A conclusão é que todos os cimentos testados são bioativos. Os cimentos liberam muitos de seus componentes capazes de estimular a deposição mineral na interface cemento- dentina e no interior dos túbulos dentinários. MTA Branco e MTA Bio são mais efetivos ao promover a biomineralização do que o cimento Portland, principalmente no período de 30 e 60 dias. 


Artigo na íntegra:

Tomografia computadorizada de feixe cônico é a técnica de imagem de escolha para avaliação ortodôntica completa.

Larson BE. Cone-beam computed tomography is the imaging technique of choice for comprehensive orthodontic assessment. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2012;141(4):402-11.

artigo

Steiner em 1953 escreveu sobre o uso da cefalometria: “Tem sido afirmada por muitos que é uma ferramenta de pesquisa laboratorial e que as dificuldades e o preço elevado para seu uso na prática clínica não são justificáveis. Muitos argumentaram que as informações obtidas pela cefalometria não contribui para mudanças, ou influencia, em seus planos de tratamentos”.

O mesmo pode ser dito sobre o Cone Beam Computed Tomography (CBCT) hoje. E apesar de termos muito a aprender sobre o melhor uso do CBCT, sabemos o suficiente sobre sua aplicação para considerar a imagem de escolha para a maioria dos tratamentos ortodônticos.

Benefícios do CBCT:

- Precisão da geometria da imagem – Imagens com proporção de 1:1.

Nas radiografias 2-D temos magnificação e distorção. Estruturas do lado esquerdo são menos ampliadas que as estruturas do lado direito pela proximidade com o filme. Na imagem panorâmica, a ampliação vertical e horizontal varia de acordo com a distância do ponto focal.

Com o CBCT podemos ter acesso com precisão do tamanho de dentes não-erupcionados, dimensões ósseas nos 3 planos do espaço e até medidas de tecido mole.

Tem sido demonstrado que os pontos cefalométricos podem ser localizados com segurança em imagens cefalométricas geradas pelo CBCT.

- Melhor localização de dentes ectópicos e avaliação de absorção radicular.

Pode resultar em mudanças no diagnóstico e recomendações de tratamento.

- Observância de Assimetrias.

Anteriormente eram feitos com exames clínicos, modelos de estudo e cefalograma anteroposterior, com o CBCT podemos mensurar a quantidade dessa assimetria com acesso a vários cortes tomográficos.

- Imagem da ATM.

Artigo recente na univ. Minesota mostra que de 200 pacientes da ortodontia, 18% tinham alteração na ATM observada pelo radiologista, que eram suficientemente significantes para acompanhamento posterior ou encaminhamento.

- Avaliar as dimensões aéreas em 3-D e visão clara dos seios paranasais e os tornando-os mensuráveis.

- Avaliar o osso alveolar, diagnosticar doenças periodontais.

Imagens recomendadas anteriormente: panorâmicas e bitewings, com o CBCT somente haverá uma exposição à radiação.

- Mensurar defeitos interproximais e linguais.

- Avaliação endodôntica.

O estudo em Minesota obteve ainda 10% de achados endodônticos significantes nos pacientes examinados: lesões periapicais, reabsorções internas e externas, pontas de raízes retidas.

- Avaliação do osso cortical para acessórios de ancoragem.

Custos do CBCT:

- Radiação: comparar o nível de radiação é difícil pois existem muitos maquinas de CBCT disponíveis no mercado e os protocolos de escaneamento para essas máquinas estão em constante mudança devido às modificações no software, mudando o nível de exposição à radiação.

Estudo na Universidade de Minesota comparou a maquina de CBCT x 2-D radiografia digital. A de CBCT utilizou 65 milionésimos de Sievert (uSV), e a 2-d radiografia digital, 26 uSV. Subsequente ao teste, um novo protocolo de baixa exposição foi adicionado na máquina de CBCT e forneceu o necessário para o diagnóstico ortodôntico com 35 a 40 uSV.

Se radiografias intraorais da boca inteira são realizadas para avaliar o periodonto de adultos, a CBCT imagem reduz a dose de radiação.

Conclusão:

O CBCT para a maioria dos pacientes ortodônticos apresenta grandes vantagens. A habilidade de mensurar precisamente, melhorar a localização, identificar e quantificar assimetrias, visualizar anormalidades nas vias aéreas, avaliar as estruturas periodontais, identificar problemas endodônticos, ver posição dos côndilos e ossos da ATM e planejar locais para ancoragem de acessórios em osso, aumenta ao clínico o conhecimento e informações para o diagnóstico ortodôntico.

Todas essas vantagens estão acessíveis com pequeno aumento na exposição à radiação em comparação a panorâmica digital e telerradiografia. Comparado ao registro padrão definido 15 anos atrás (telerradiografia e anteroposterior, panorâmica e de radiografias de boca completa), a quantidade de radiação de CBCT imagem representa mais que 80% de redução de exposição à radiação.

 

Link para o artigo na íntegra via PubMed:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22464520

terça-feira, 3 de abril de 2012

Mídias sociais para Cirurgiões-Dentistas (Ortodontistas principalmente)

Social media basics for orthodontists. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2012;141:510-5.

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A todo momento que abrimos uma página na internet, vemos uma revista, ou um comercial na TV, somos bombardeados de convites como “curta-nos no Facebook” ou “siga-nos no Twitter”. Muitos dentistas, entretanto, investem muito em campanhas em mídias sociais sem ter algum retorno. Este artigo descreve 5 das maiores ferramentas de mídias sociais em detalhes, explorando suas vantagens, fraquezas, oportunidades e riscos inerentes a cada.

O principal propósito de fazer campanhas em redes sociais é trazer novos pacientes aos nossos consultórios. Isso pode ocorrer de duas formas. Primeira, a mídia social pode atrair diretamente novos pacientes. Uma vez que a família percebe a necessidade de um ortodontistas, os conceitos de colaboração e marketing de entrada entram em jogo. Quando a família encontra nossoss serviços devido a referências ou sozinhos, eles desejam saber mais sobre nós e as experiências de outros em nosso consultório. Mesmo se um novo paciente recebe uma referência de um dentista ou um amigo, é comum para aquela pessoa ir na internet e procurar alguma informação sobre nós.

A segunda maneira é aumentando o entendimento e fidelizando os pacientes em tratamento. Interação regular, conversas e posts com informações, ajudam a manter nossos pacientes e sua família mais próximos e, assim, sermos lembrados em uma recomendação a um futuro tratamento para sua família e amigos. Sites de mídias sociais também dão espaço para nossos pacientes testemunhar e falar sobre o tratamento, o que ajudará a atrair novos pacientes.

Twitter

Twitter é, segundo o autor, a quinta melhor mídia social para a nossa divulgação. Devemos ter o Twitter como um meio de mandar mensagens para nossos pacientes.

Tem a vantagem de ser rápido e fácil de usar, gratuito. Ser sucinto, por possuir um limite de 140 caracteres e fácil de usar no celular.

Uma de suas maiores fraquezas é que apenas 10% dos Americanos tem conta no Twitter e é estimado que apenas 3% que realmente o usam. Outra desvatagem é que não permite muito conteúdo (o que pode ser contornado de várias formas). Para usar o Twitter de forma bem-sucedida requer que seus pacientes sejam avisados do serviço. Isso pode ser promovido no registro do paciente, em correspondência ou com um link em seu website.

YouTube

É a quarta escolha de mídia social para a prática ortodôntica. Mais de 13 milhões de horas de vídeo foram armazenados em 2010 e 48 horas de vídeos são armazenados a cada minuto. Mais de 3 bilhões de vídeos são vistos a cada dia. O conteúdo de seu vídeo pode fornercer informação que pode levar pacientes à você.

A grande força do YouTube também é sua maior fraqueza. Com tal acervo de vídeos, ser encontrado por possíveis pacientes em nossa comunidade é díficil. Com o website SEO, escolher as melhores palavras-chaves e descrições apropriadas é importante para ajudar as pessoas certas a encontrarem nosso material.

O youtube pode ser importante de duas maneiras em nossa campanha em mídia social. Primeiramente, podemos fornecer material como vídeos institucionais, vídeos de nossa prática diária, que pode atrair novos pacientes. Segundo, pode servir como um servidor para armazenar nossos vídeos para posts em blogs, twitter, facebook, e-mails, entre outros.

Leis de privacidade do pacientes são facilmente violadas com postagem de vídeos inocentes, mas sem o devido consentimento. Devemos sempre de ter o consentimento do paciente, e verificar se esse consentimento é legal.

Blog

Blog é a terceira escolha de mídia social. O blog é um jornal cronólógico ou conjunto de conteúdo que é de interesse a seus pacientes e possíveis pacientes.

Ao contrário de outras mídias sociais, o blog requer um conhecimento maior para sua configuração. Configurando incorretamente, somente beneficiará o servidor que armazena o blog. E um blog bem-sucedido requer tempo e empenho.

Facebook

É a segunda escolha de mídia sociais. Facebook é uma comunidade online de família, amigos, colegas, companheiros de igreja, de faculdade, e de todo tipo de relação que puder imaginar. Facebook é onde está nosso público alvo. É de longe a maior rede social do mundo. Em Agosto de 2011, estivama-se ter mais de 750 milhões de usuários. Páginas de empresas são fáceis de configurar e manusear, e podem ser linkadas ao seu website.

Aspectos negativos são que os usários não querem ser interrompidos com solicitações enquanto estão socializando. Posts devem fornecer conteúdos interessantes e formadores de relações (marketing incluso).

A presença no Facebook permite a interação e tornar amigável com seus pacientes. É a chance de eles se manterem informados ao que acontece no consultório entre suas visitas. É sua chance de agradecer aos pacientes quando eles estiverem cooperando e assim fidelizar mais seus pacientes.

Google Places

É a mídia social número 1 na escolha do autor. Google Places é um diretório de perfis automaticamente criados pelo Google para cada empresa com endereço físico ou número de telefone. A lista de endereços aparece quando um usuário faz uma pesquisa que inclui endereço físico, região ou número de telefone. 

Ao contrário do Facebook, Twitter, entre outros, os pacientes não precisam ser seus amigos ou ter uma conta para ver sua lista de lugares. Ela aparecerá toda vez que alguém procurar por seu consultório. Pode haver fotos, vídeos, sua logo, mapas, direções para seu consultório, descrição de seus serviços.e feedback de seus pacientes.

Conclusão

Mídias sociais estão afetando nossas práticas, mesmo que não quisermos participar. Os pacientes estão falando de nós, sempre estiveram. Agora eles possuem uma maneira mais eficiente de fazer isso, via Internet. Incorporar a mídia social em nosso marketing irá permitir a participarmos da discussão e eventualmente, incorporar pacientes novos à nossa prática diária.

 

Link para o artigo:

http://www.ajodo.org/article/S0889-5406%2812%2900051-0/abstract

quarta-feira, 28 de março de 2012

Novidade na AJODO

Kokich VG. The AJO-DO blog. Am J Orthod Dentofac Orthop 2012;141(4):393.

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Olá, leitores. Tenho uma grata surpresa para dar-lhes.

Hoje, lendo a American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, deparo-me na seção do editorial da revista, um artigo do Vicent G. Kokich, editor-chefe, com título: The AJO-DO blog.

No início do artigo, Kokich, demonstra sua preocupação com o feedback dos leitores. Onde ele diz ver o periódico não somente como uma publicação científica, mas como um veículo de educação científica (o que realmente é o objetivo).

Como a melhor educação é a interativa, o jornal impresso estava um pouco a dever nesse quesito. Quando recebia uma carta sobre um artigo publicado na revista, essa era enviada ao autor que tinha um mês para responder. Assim que a resposta era feita, a carta e a resposta eram encaminhadas para publicação na próxima edição disponível. Entretanto, a Elsevier estava requerendo que as cartas fossem programadas para 3 meses seguintes. Assim sendo, poderia haver de 5 a 6 meses de atraso que a carta e a resposta fossem publicadas. Quando os assinantes tivessem a oportunidade de ler a carta, o contexto já havia passado. Agora com o Blog da AJO-DO essa interação supostamente será melhor realizada.

O blog AJO-JO servirá também para informar os leitores sobre novidades que irão aparecer nas próximas edições do periódico.

Além do Blog, haverá um Facebook Page da AJO-DO, que irá permití-los avisar quando um material novo estará disponível no blog.

Link para o Blog:

http://ajodoblog.blogspot.com/

Link para o artigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.ajodo.2012.03.012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Análise Facial Subjetiva

Reis SAB, Abrão J, Capelozza Filho L, Claro CAA. Análise facial subjetiva. R Dental Press Ortodon Ortop Facial 2006;11(5):159-172.

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face longa

face curta

Artigo publicado na Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial, no ano de 2006 (11(5):159-172), pelos autores Sílvia Augusta Braga Reis, Jorge Abrão, Leopoldino Capelozza Filho, Cristiane Aparecida de Assis Claro.

A necessidade científica e didática de estabelecer valores de normalidade para as inúmeras medidas lineares, angulares e proporcionais avaliadas em telerradiografias ou mesmo fotografias da face distanciaram o ortodontista da avaliação individual de cada face, princípio primário do diagnóstico, e levaram, muitas vezes, a opções de tratamento equivocadas que buscavam metas erroneamente definidas.

Em 1953, Tweed reavaliou seus casos tratados em 25 anos, seguindo a filosofia proposta por Angle, de que a melhor harmonia facial seria obtida com todos os dentes em oclusão, assim observou que apenas 20% dos pacientes apresentavam oclusão normal e adequada harmonia facial. A maioria deles portava desarmonia facial, devida à protrusão exagerada dos incisivos, exigindo retratamento. O equilíbrio foi então obtido às custas de exodontias, contrariando todas as filosofias vigentes até então.

A posição do incisivo inferior, avaliada na telerradiografia do perfil, passou então a definir a necessidade de exodontias a fim de obter um ângulo entre o longo eixo do incisivo inferior e o plano palatino de 90º ± 5º. Segundo Tweed, esse parâmetro estava relacionado à estética facial agradável.

A utilização destes e outros parâmetros cefalométricos na definição dos planos de tratamentos resultou em extrações desnecessárias e iatrogenias na estética facial, identificadas por autores da literatura norte-americana como dish face ou face côncava.

A perspectiva atual da prática e da pesquisa odontológica exige que o profissional se aproxime das expectativas do seu paciente ao definir a melhora da estética facial e do sorriso como o principal objetivo do tratamento, e a avaliação direta da face do paciente como seu principal recurso diagnóstico, a qual permite observar as características faciais harmoniosas e desarmoniosas como o paciente é avaliado por si mesmo e pelos seus pares.

Ao paciente, definitivamente, não interessa que os ângulos e proporções de sua face estejam dentro de um “padrão de normalidade” se este padrão não se adequar às suas características étnicas e individuais.

A principal aspiração do paciente é ser reconhecido como bonito, ou no mínimo normal, por si mesmo e pela sociedade, eliminando características desagradáveis do sorriso e de sua face.

A organização do diagnóstico ortodôntico de acordo com os Padrões Faciais permite abordar o tratamento das más oclusões, considerando a localização da discrepância esquelética, quando presente, a etiologia da má oclusão, estabelecendo protocolos de tratamento específicos para cada Padrão em cada faixa etária, com protocolos em curto prazo e perspectivas em longo prazo previsíveis, considerando a gravidade da discrepância.

Os benefícios dessa nova visão da Ortodontia dependem, entretanto, do diagnóstico adequado do Padrão Facial. Considerando a limitação das medidas faciais em expressar forma ou normalidade, a classificação do Padrão deve ser realizada pela avaliação morfológica da face nas visões frontal e lateral.

Os indivíduos podem ser classificados como Padrão I, II, III, Face longa ou Face curta.

PADRÃO I

O Padrão I é identificado pela normalidade facial. A má oclusão, quando presente, é apenas dentária não associada a qualquer discrepância esquelética sagital ou vertical. Os Padrões II e III são caracterizados pelo degrau sagital respectivamente positivo e negativo entre a maxila e a mandíbula. Nos Padrões face longa e face curta a discrepância é vertical. Nos pacientes com erros esqueléticos, as más oclusões são geralmente conseqüentes dessas discrepâncias.

Na avaliação do perfil, o Padrão I é caracterizado por um grau moderado de convexidade. A expressão da maxila na face é identificada pela presença da projeção zigomática e depressão infraorbitária, que podem ser verificadas também na visão frontal. A linha de implantação do nariz, levemente inclinada para anterior, denota adequada posição maxilar. O sulco naso-geniano com leve inclinação posterior completa a avaliação do equilíbrio maxilar. O ângulo nasolabial avalia a base nasal em relação ao lábio superior, cuja posição é fortemente determinada pela inclinação dos incisivos superiores. Portanto, esse ângulo pode estar adequado, aberto ou fechado nos pacientes Padrão I, como conseqüência da posição dos dentes anteriores superiores, independente do bom posicionamento maxilar, sempre observado neste pacientes.

O equilíbrio mandibular, tamanho, forma e posição, podem ser verificados na avaliação do perfil por meio da linha queixo-pescoço. Ela deve ser expressiva sem ser excessiva e tender ao paralelismo com o Plano de Camper. Esse paralelismo contribui para um ângulo adequado entre as linhas do queixo e do pescoço. Além disso, espera-se um ângulo mentolabial agradável esteticamente e construído com igual participação do lábio e do mento.

Os pacientes portadores dos Padrões II e III apresentam discrepância sagital entre a maxila e a mandíbula, identificada, principalmente, na avaliação lateral da face. Indivíduos classificados como Padrão I na visão frontal e II ou III no perfil apresentam melhor prognóstico que aqueles Padrões II ou III nas visões frontal e lateral, nos quais o desequilíbrio é grave o suficiente para ser identificado na avaliação de frente, devido às suas conseqüências verticais.

PADRÃO II

O Padrão II apresenta convexidade facial aumentada, em conseqüência do excesso maxilar, mais raro, ou pela deficiência mandibular.

Normalmente, observa-se uma maxila com boa expressão na face, enquanto o terço inferior está deficiente e com a linha queixo-pescoço curta.

Apresenta, usualmente, um ângulo nasolabial bom, associado ao sulco mentolabial marcado pela eversão do lábio inferior.

PADRÃO III

No Padrão III a convexidade facial apresenta-se reduzida, resultando em um perfil reto ou mais raramente côncavo devido à deficiência maxilar, ao prognatismo mandibular ou à associação de ambos.

O terço médio da face tende a parecer deficiente, mesmo que esteja normal, pois o excesso mandibular desloca para anterior o tecido mole da maxila, mascarando a leitura da projeção zigomática.

O terço inferior da face tende ao aumento, principalmente no prognatismo e a linha queixo-pescoço apresenta-se normal nos deficientes maxilares ou em excesso nos prognatas.

O sulco mentolabial encontra-se aberto, devido à verticalização compensatória dos incisivos inferiores.

PADRÃO FACE LONGA

Os pacientes classificados como Padrões Face Longa e Face Curta apresentam uma discrepância vertical visível nas avaliações de frente e perfil.

O paciente Padrão Face Longa é caracterizado pelo excesso na altura facial, resultando em ausência de selamento labial, excesso de exposição de dentes no repouso e de gengiva no sorriso. A convexidade facial desses pacientes está aumentada, a expressão maxilar é deficiente e a linha queixo- pescoço curta.

O paciente Padrão Face longa tem deficiência na expressão sagital da maxila e da mandíbula, que apresentam direção de crescimento predominantemente vertical.

PADRÃO FACE CURTA

O paciente Padrão Face Curta é identificado pela deficiência nas dimensões verticais, lábios comprimidos, maxila com expressão adequada e excesso da linha queixo-pescoço, devido à rotação anti-horária da mandíbula.

A convexidade do perfil está, normalmente, reduzida e o paciente apresenta pouca exposição dos incisivos superiores no repouso e no sorriso.

A utilização dos conceitos já estabelecidos pela literatura ortodôntica, aplicados sob essa nova perspectiva, permite maior previsibilidade aos tratamentos ortodônticos e tranqüilidade ao profissional, que se torna apto a utilizá-los.

 

Artigo na íntegra via Scielo:

www.scielo.br/pdf/dpress/v11n5/a17v11n5.pdf

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Via aérea superior em maloclusão Classe II

Kirjavainen M, Kirjavainen T. Upper airway dimensios in Class II Maloclcusion: Effects of headgear treatment. Angle Orthod 2007;6:1046-1053.

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Artigo publicado no periódico Angle Orthodontist, pelos autores Mirja Kirjavainen e Turkka Kirjavainen, no ano de 2007, no 6 (1046-1053).

Este estudo objetivou estudar os efeitos do aparelho extra bucal cervical no tratamento de maloclusões Classe II, divisão 1, nas estruturas da via aérea superior em crianças.

Materiais e métodos: As estruturas da via aérea superior foram estudadas em 40 crianças (20 meninos e 20 meninas) que foram encaminhados para tratamento por causa de uma mal-oclusão Classe II, divisão 1. Critérios de inclusão foram: (1) Má oclusão Classe II com um overjet maior que 2 mm, (2) uma maxila protusiva indicada por analise cefalométrica, ponto A à frente da linha Násio-Pogônio, (3) a avaliabilidade do pré e pós-tratamento em modelos de estudos, lateral e ântero-posterior cefalogramas, (4) idade entre 7 a 12 anos, (5) boa saúde geral, (6) boa ou moderada cooperação. Os resultados foram comparados com cefalogramas de 80 crianças com relação Classe I de molares. O primeiro autor tratou as crianças com mal-oclusão Classe II com aparelho extra bucal cervical. Cefalogramas pós tratamento foram tirados quando a relação de molares Classe I foi obtida.

Resultados: NASOFARINGE: Os indivíduos do grupo em tratamento tiveram um similar ou aumento da nasofaringe comparado ao grupo controle, e também a distância ad2-PNS foi maior que no grupo controle. Entretanto, essa diferença foi observada somente em indoivíduos em que a tonsila faríngea foi removida. A distância ad1-PNS é similar no grupo controle e no pós tratamento.

OROFARINGE: As crianças com a má oclusão Classe II apresentaram um estreitamento da orofaringe. A área retropalatal aumentou pelo tratamento, entretanto o restante da orofaringe permaneceu mais estreita no grupo controle. O comprimento e profundidade do palato mole permaneceram similares ao grupo controle no período de tratamento. O ângulo entre o plano palatino e a ponta do palato mole diminuiu pelo tratamento.

Conclusão: Má oclusão Classe II é relacionada com um estreitamento do espaço aéreo oro e hipofaríngeo em comparação aos controle com relação de molar Classe I. E o aparelho extra bucal cervical aumenta o espaço aéreo retropalatal mas isso não afeta significantemente a orofaringe e a hipofaringe em crianças com má oclusão Classe II sem retrognatia.

 

Artigo na íntegra:

http://www.angle.org/doi/pdf/10.2319/081406-332

domingo, 22 de janeiro de 2012

Avaliação cefalométrica dos fatores obstrutivos da faringe de indivíduos com Síndrome da Apnéia do Sono.

Bacon WH, Turlot JC, Krieger J, Stierle J. Cephalometric evaluation of pharyngeal obstructive factors of patients with sleep apneas syndrome. Angle Orthod. 1990;60(2):115-122.

Sem título

 

Artigo publicado por Willian H. Bacon, Jean Christophe Turlot, Jean Krieger e Jean-Louis Stierle na revista Angle Orthodontists, ano de 1990 (Vol. 60, No. 2: 115-122).

Bacon et al. procuraram através desse estudo determinar características morfológicas de indivíduos com a Síndrome da Apnéia do Sono (SAS). Para isso, avaliaram indivíduos com SAS e compararam com um Grupo Controle, para observar quais características morfológicas específicas diferenciam-se entre eles.

A amostra do Grupo SAS constituiu-se de 43 homens adultos, com idade média de 50.5 anos, com diagnóstico de SAS através da polissonografia noturna. O Grupo Controle constituiu-se de 40 adultos homens, com idade média de 23.4 anos, sem distúrbios respiratórios.

Através da análise cefalométrica puderam observar que o Grupo SAS apresentou um maior ângulo do plano oclusal e plano mandibular, assim como o palato mole mais alongado em relação ao Grupo Controle.

A pesquisa levou as seguintes observações no Grupo SAS: um encurtamento da base do crânio, uma compressão facial posterior com a redução da faringe óssea, um alongamento vertical da porção inferior da face o queixo e língua retraídos e um aumento do comprimento do palato mole.

Uma correta reclassificação de 93 % dos indivíduos de toda amostra poderia ser obtida usando 4 variáveis (comprimento do palato mole, dimensão sagital da porção superior da face, comprimento da base cranial anterior, e altura da porção anterior da face).

 

Artigo na íntegra:

http://www.angle.org/doi/pdf/10.1043/0003-3219%281990%29060%3C0115%3ACEOPOF%3E2.0.CO%3B2